quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Uma nova Era começa. Donald Trump toma posse nos EUA e sinaliza preocupação com imigração e inflação

Donald Trump prestou juramento e tomou posse como o 47º presidente dos Estados Unidos, no Capitólio, sede do Congresso, nesta segunda-feira, 20. O republicano ainda assinou, no seu primeiro dia no cargo, uma série de ordens executivas — um prenúncio do que devem ser quatro anos agitados, polarizantes e repletos de vingança.

Seu plano envolve o aumento do controle sobre a fronteira com o México, com a designação dos cartéis como terroristas. O isolamento contrasta com a intenção de expandir o poder americano sobre outros territórios, incluindo o Canal do Panamá. Ontem mais cedo, durante o discurso de posse, feito no Capitólio, ele prometeu reverter a decadência dos EUA e iniciar uma nova era de ouro na história americana. “A partir deste momento, o declínio da América acabou”, afirmou.

Após o juramento de posse, Trump disse que decretaria emergência nacional na fronteira com o México, permitindo o envio de tropas e assinaria outra medida para declarar emergência energética, com objetivo de acelerar o licenciamento de novos oleodutos e incentivar a produção de petróleo. “Todas as entradas ilegais serão imediatamente interrompidas e começaremos o processo de retorno de milhões e milhões de estrangeiros criminosos aos lugares de onde vieram”, afirmou o presidente. “Acabarei com a prática de captura e soltura. E enviarei tropas para a fronteira para repelir a desastrosa invasão do nosso país.”

Outros decretos prometidos envolvem a suspensão das medidas do governo de Biden para incentivar a venda de veículos elétricos e a designação dos cartéis de drogas como “organizações terroristas globais”, o que as coloca no mesmo patamar de organizações como a Al-Qaeda, deixando no ar a possibilidade de operações militares dentro do território mexicano.

Integrantes da nova equipe de governo disseram ainda que Trump assinaria decretos para suspender o reassentamento de refugiados e acabar com o asilo e com a cidadania automática para quem nasce nos EUA – uma medida que certamente enfrentará obstáculos nos tribunais, porque viola a 14.ª Emenda da Constituição.

Trump prometeu perdoar as pessoas processadas criminalmente por participarem do ataque ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021. Um perdão geral pode anular as condenações ou sentenças de muitas dos 1,6 mil simpatizantes que foram processados. Em discurso no Capital One Arena, ele garantiu que os perdões seriam uma das primeiras medidas. “Vou assinar o perdão dos reféns do 6 de Janeiro, para libertá-los. Assinaremos perdões para muitas pessoas.”

O Acordo de Paris também entrou na mira de Trump, que o chamou de “injusto e unilateral”. “Os EUA não sabotarão nossos próprios setores econômicos enquanto a China polui impunemente”, afirmou. Trump também prometeu encerrar os programas de diversidade, equidade e inclusão do governo anterior. Uma de suas medidas será instituir a política oficial que só considera dois gêneros: masculino e feminino. Isso excluirá aqueles que se consideram não binários e trans. “Acabarei com a política governamental de tentar fazer engenharia social de raça e gênero em todos os aspectos da vida pública e privada.”

Como nas últimas semanas, Trump também prometeu retomar o controle do Canal do Panamá, usando como argumento a acusação de que a China opera o local. “Nós o tomaremos de volta”, afirmou. O presidente panamenho, José Raúl Mulino, reagiu imediatamente. “Rejeito integralmente as palavras expressas pelo presidente Trump”, disse. “O canal é e continuará sendo do Panamá.”

Líderes de todo o mundo reagiram ontem ao retorno de Trump à Casa Branca. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, cumprimentou o americano pelo retorno e defendeu uma relação fundamentada no “respeito”. “Como vizinhos e parceiros comerciais, o diálogo, o respeito e a cooperação sempre serão o símbolo da nossa relação”, escreveu Claudia, no X.

O Canadá, vizinho que também vem sendo alvo de ameaças de anexação e guerra comercial por parte de Trump, buscou conciliação. “Canadá e os EUA mantêm a parceria econômica mais frutífera do mundo e são o maior parceiro comercial um do outro” afirmou o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau. Já Mark Rutte, secretário-geral da Otan, prometeu que os membros da aliança militar liderada pelos EUA aumentarão seus gastos com defesa, uma bandeira de Trump. “Juntos podemos alcançar a paz por meio da força”, disse Rutte.

Fonte: https://www.infomoney.com.br/